A Mulher de Roxo

Cascadura

Compositor: Fábio Cascadura

Já veio louca, um salmo na boca
Com a roupa roxa, toda roxa
A Chile é a casa que tem

Bruxa-fada, dragão sem asa
Fez coisa errada, falam
Tá condenada a viver na solidão

Voz educada, cuspindo mágoa
Santa danada, tá retada
Na Sloper, pede um vintém

Salvou uma alma, perdão por nada
Cabeça come água e faz
Sinal da cruz pra garantir

Com olhos de quem vê o final
Nos deu sua mercê

Véu e grinalda, comendo nada
Descendo a Praça Castro Alves
Ladeira, acorda outra vez

Na lata: Ferida em chaga
Cruzando a malta, é maga, é casca
Rainha falsa sem rei

Recriminando, papai deu aula
Mamãe na jaula, escrava Isaura
França Teixeira, ó, você

Fecha a cara, aqui Mara é bala
Família tá na sala, é mansa fala
Na rua, eu não sei

Com olhos de quem vê o final
Nos deu sua mercê
E não: Nunca fomos com ela

Guardou a touca, topou uma sopa
Caiu na poça, ainda moça
Armou amor pra ninguém

Se faz falta, ninguém se exalta
Chegando, escalda, fala alto
Pra dar vexame e vender

Vida apertada, vista embaçada
É gol, e vai buscar no fundo
O mundo que alguém lhe deu

Deu pena, não é cinema
Ela sumiu, subiu, saiu
Sei lá, ninguém quer saber

Com olhos de quem vê o final
Nos deu sua mercê
E não: Nunca fomos com ela

Dorme bem
Amei o quanto amei e
Já vi de tudo, no mais, sou isso
Já vi mundo girar
Meu bem
Já sei de tudo, eu sei e
O absurdo é só um abismo
Ou plataforma

Com olhos de quem vê o final
Nos deu a sua mercê

Já veio louca, um salmo na boca
Com a roupa roxa, toda roxa
A Chile é a casa que tem
Na lata: Ferida em chaga
Cruzando a malta, é maga, é casca
Rainha falsa sem rei
Voz educada, cuspindo mágoa
Santa danada, tá retada
Na Sloper, pede um vintém
Guardou a touca, topou uma sopa
Caiu na poça, ainda moça
Armou amor pra ninguém

Com olhos de quem vê o final
Nos deu sua mercê
E não: Nunca fomos com ela

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